terça-feira, 2 de junho de 2009

Que prazer rever vocês!


"Que prazer rever vocês."

Foi com essas palavras que o rei - falo do Roberto - saudou domingo passado, seus súditos, no evento em que "Elas" - as Divas da Mpb - o cantavam, homenageando-o.
Com essas mesmas palavras, saúdo a vocês, meia dúzia minha, de leitores fiéis.
Não com a mesma magnificência, isso o sei bem.Mas com a mesma saudade.
Por isso essa força estranha me leva a escrever-vos.

Bloguemia, aqui me tens de regresso.E, suplicante eu te peço, a minha nova inscrição.
Hoje, meu dia começou ao findar a tarde.Hora em que me apetece estar em casa e sempre só, como já sabem alguns poucos amigos.
Aos engraçadinhos, "não, eu não quero ser a Maria Bethânia!".
Resolvi querer saber de notícias de antigos vizinhos meus.
Sendo mais claro, o casal mais intrigante que já conheci.

Não daria "nomes aos bois", como vulgarmente se fala, quando não se quer comprometer a dignidade de outrem, mas só e somente só, se estes fossem nomes quaisquer, o que não é o caso.
São eles, Siegrid Guillaumon Dechandt (lê-se Zigrêti Guiomom Dêchan) e Adroaldo.
Não lembro o sobrenome de Adroaldo, mas não passa de um "Silva" ou um "dos Santos". Vulgarmente chamados Zig e Dodô.
A partir deles eu descobri que certos nomes não haveriam de poder ter apelidos.

Liguei para o palácio dos Dechandt - é assim que sinto quando ligo para a residência dos amados.
Adroaldo atendeu-me perguntando quem falava, não senti deselegância alguma nessa atitude , tamanha a sua sinceridade. Respondi e tudo foram flores.
Perguntei-lhe sobre como estavam ele e a queridíssima esposa, minha adorável colega.
Fui surpreendido com a notícia que Siegrid encontrava-se morando em São Paulo. E que haviam se separado. Esse seria o motivo da minha visita de logo mais algumas horas e o único tema de nossa conversa.

Adroaldo é de origem humilde, nasceu na Chapada Diamantina, onde conheceu Siegrid e o amor aconteceu.
Siegrid, no entanto, é filha da classe média-alta paulistana, aos dez anos ou onze, não me recordo com precisão, fez intercâmbio com seus dois irmãos, também com idades semelhantes, para a Alemanha.Lugar de onde descendem seus avós paternos.
Seus avós maternos, por sua vez, vieram do interior da França.Motivo o qual, levou Siegrid, sua mãe, irmã e irmão numa viagem a uma pequena cidade francesa, há dois anos atrás, em busca de suas raízes, da história de sua gente.

Descobriu-se cartas, escritas no navio que os trouxeram - os avós - até as terras brasilis.
Descobriu-se o amor que continha nessas cartas.
Um ano após essa viagem, o casal seguiu para o Nepal, passando por Paris na volta.
Disso fiquei sabendo em Dezembro passado, logo depois que chegaram, numa visita de final de ano que os fiz.

Siegrid e Adroaldo se amavam como raramente vi casal algum, eles em nada combinavam - a la Eduardo e Mônica - e se completavam de uma forma ímpar, provando a quem quer que fosse, mesmo sem qualquer intenção, que amor nada tem a ver com pequenas similaridades coincidentes, mas com abraçar a causa, um do outro.Tornando-se um só, sem deixar de ser dois.

Foi o fim dessa relação que ouvi Adroaldo me contar, com dor transparente, ao som dos Rolling Stones, enquanto ele fazia trabalho da faculdade e eu, lia, roubado da estante de livros de Siegrid, que lá ainda se encontrava, a versão original em espanhol de "La razon de mi vida" de Evita Perón.
A mais bela carta de amor que já li.Diga-se de passagem, amor e Perón em noventa por cento das palavras.
Contrariando os versos do Poeta português.Nem todas as cartas de amor são ridículas.

Bebemos uma taça de bom vinho e tomamos algumas xícaras de maravilhoso café preparado pelo próprio Adroaldo.O qual me contava alguns detalhes daquele choroso caso, que por alguns instantes me recorria ter sido escrito pelo Nelson Gonçalves.Como as coisas se deram e a angústia dele em não saber o motivo concreto do fim.
Deixou claro para mim o quanto de amor ainda restava em seu peito e me falou das armas que o casal usou, no momento da defesa de suas causas.

A leitura de alguns artigos de Freud, sobre as decisões conscientes, para rebater os argumentos sempre impreterivelmente prontos e concretos e rochosos de Siegrid, leitora antiga e segura, não só de Freud, como de Jung, Miss Blavatzq e a Doutrina Secreta, conhecedora de coisas relevantes da vida, da história do mundo, da história das coisas.
A humildade de Adroaldo é algo fascinante e foi com tal humildade que o ouvi atender ao telefone que acabava de tocar.

Do outro lado da linha, Siegrid. Conversaram alguns minutos, sobre coisas que não tinham a importância que a própria ligação tinha em si.
Os olhos de Adroaldo brilhavam, como brilham fios de mel no café da manhã sob o sol exuberante que teme em aparecer pelas frestas da janela sem cortina.
Seu desconserto era notável e ao fim da ligação ele não se conteve em colocar um tango argentino pra tocar, caindo bem melhor que um blues.

Falava-me que aquele cd de tangos, tinha sido dado a ele por Siegrid, que trouxera de uma viagem à Argentina há alguns dias do término da relação.
Ele confessou-me ter recusado o presente, com o argumento de que o faria sofrer, mas antes da partida de Siegrid, gravou-o em seu notebook, num ato de puro mazoquismo, como ele mesmo se referia.

Como nada, na minha vida pelo menos, acontece por acaso.Estava ali em minhas mãos a história de amor de Evita.
O sentido que Evita dava ao amor, descortinava em minha frente, me fazendo entender a situação.Me fazia perceber em qual dos dois grupos de homens estava Adroaldo e a relevância do que podia ter levado Siegrid a tamanho ato de coragem e egoísmo.

Da Argentina, Siegrid trouxe, além dos tangos, um livro do Museo Evita, para Adroaldo.
O qual me falava com o sentimento à flor da pele, literalmente como a expressão nos confere, sobre o ardor que aquela capa lhe causava. Uma fotografia de Evita - mulher forte, amante e líder, como sua Siegrid - dando adeus.
Isso tudo com bastante pesar.E com inimaginável conhecimento semiótico, aquele nobre camponês discorria seu sofrer.

Adroaldo é bombeiro.

Siegrid é Mestre em Administração, formada pela USP e no momento faz sua tese de Doutorado, em São Paulo, a alguns muitos quilômetros de Adroaldo, que cursa Museologia na Faculdade Federal da Bahia, no Recôncavo e ajuda a salvar vidas na capital baiana.

Já ganhei presentes de Adroaldo e Siegrid.
Uma bermuda jeans de cor amarronzada e o livro "Iniciação à Estética", de Ariano Suassuna, com belíssima dedicatória.
E já não se faz necessário dizer de quem foi cada um dos presentes.

Certa vez, ouvi num vídeo no Youtube, uma escritora que muito estimo, dizer em entrevista, que o Amor são ciclos que se fecham de sete em sete anos.
Coincidentemente eu já percebi que a minha vida é feita de ciclos que se fecham de sete em sete anos.Já consegui fechar três e estou no início do quarto.Do quarto ciclo, não do quarto amor.Esses foram muitos num ciclo de sete anos.
Mas talvez a conclusão a qual chegou a escritora que tanto gosto, seja um bom consolo para Adroaldo.Embora não o tenha feito conhecedor dessa teoria.
Nesses momentos eu não sei fazer mais nada além de escutar e comentar sobre algumas coisas que não têm muito sentido.
Como conselheiro eu sou um ótimo ouvinte.
Disso sabem bem todos os meus poucos amigos.
Aquela conversa, meio monólogo de Adroaldo, me faria ficar noite a fio, naquela sala agradável, de clima aconchegante, mas era dada a hora de partir.
As obrigações do dia de branco nos forçava a despedir-se um do outro.

Na volta pra casa, um filme "noir" se passou pela minha cabeça.
O roteiro era batido, mas algumas coisas eram novas.
Como a certeza de que as coisas acabam, mesmo antes do fim.
Contrariando David Lynch, que diz que um bom filme não pode ter um fim que pareça ser o meio.
Falando em David Lynch, a lembrança dele veio à memória, porque folheei também, seu último livro, que se encontrava na estante de Siegrid.
No qual ele fala de meditação e de algumas coisas que me fizeram ver que não só na minha vida, as coisas não acontecem por acaso.

É meio inacreditável saber que Lynch conheceu Felini num leito de hospital - enquanto este encontrava-se internado - por intermédio de um colega de trabalho dele, dois dias antes da morte de Felini.E os dois tiveram uma longa conversa de uma hora e meia e tornaram-se amigos pra sempre.
O pra sempre de um estava por acabar.O pra sempre, sempre acaba.Cantava Cássia Éller.
A qual fez grande falta no "Elas cantam Roberto" (mudando de pau para cacete, mas fazendo um ótimo link).Risos.

Falando do "Elas cantam Roberto", um momento memorável pra mim, foi ver Daniela cantando "Esqueça", vestida num reluzente e curtíssimo vestido de lantejoulas, acompanhado por um par de botas de cano alto, inicialmente mal vestida, quando não mais que de repente surge para cantarolar junto a ela, a Sempre-Jovem-Guarda-Wanderléia, com a mesma proposta do devasso figurino.E Juntas, como putas absolutas de si - digo puta, no melhor sentido que a palavra possa significar - deixando a dica a todos os amantes ouvintes, que "esqueça se ele não te ama, te faz sofrer e até chorar", assim, como donas de inebriante conhecimento do amor.

Coisas que eu não entendo 1.Como pode a Marília Pêra roubar sempre a cena?
A mulher era o próprio amor, numa interpretação que embebedou a todos.Sendo a melhor cantora e a melhor atriz.Aos berros, como quem ama.
Coisas que eu não entendo 2. Como pode num evento como esses, não ter Maria Bethânia e Gal, cantando Roberto?
A primeira eu não entendo até agora e a segunda, logo perto de acabar o show, ao aparecer uma outra cantora de voz rouca, entendi de imediato sua falta.
Também não gostei de ver a Calcanhotto só ao findar do show, cantando meia dúzia de palavras numa canção compartilhada por todas as outras amantes.Isso poderia ficar a cargo somente da Paula Toller.

Não ver e ouvir Marisa, também foi um desconsolo.Ao passo que Ivete Sangalo cantou duas músicas, num privilégio só a ela concedido, ao menos pela Globo.Injustiça com as cantoras de batom-vermelho-forever-na-boca.
Nada contra Ivete, a qual está grávida e merece uma atenção especial e eu muito estimo.Mas enquanto Marisa cantarolasse uma "modinha" ela podia ir buscar Dalila ligeiro, ligeiro.
Outra coisa importante de se pontuar, é ver que as superstições do Rei com a cor marrom, chegaram ao fim, visto que Alcione-Marrom-Bom-Bom foi uma das divas escaladas.

Ainda assim, o show me emocionou e espero que tenha emocionado a Siegrid também.
Que ela tenha lembrado de Adroaldo, o qual está a sofrer, direto do bairro da Federação.
Eu lembrei do meu amor.
Fiquei com vontade de ligar e dizer "Pois sem você, meu mundo é diferente, minha alegria é tristeeee", la razon de mi vida.
Mas não tenho mais o número, já não sei por onde andas, nem por quais cozinhas se esconde.
E o dia-de-sentir-inveja-de-quem-tá-namorando está chegando!

Viva o amor.
Viva a inveja.
Viva a vida.

Para vocês que me amam,

tenho a honra de ser,

R.R

domingo, 10 de maio de 2009

Não é isso que você está pensando!


"Hoje é domingo, pé de cachimbo."


Oooi galerinha do mal.

Em primeiro lugar, quero me desculpar pela ausência.Não tanto minha, eu sei, mas da Cri Cri. Ela pediu pra avisar que ultimamente não está em "atividade".
Desculpar pela ausência.Ah, isso é tão "sou artista da Globo", né? (rs)
Bem, não sou nenhum global, mas vou falar do que me aconteceu - e não tem importância nenhuuuma - nesses últimos dias.
Essa semana recusei uma entrevista, pra sair no jornal de melhor tiragem da Cidade do Salvador, não pra fazer o gênero insuportável, mas porque, sinceramente a pauta não me interessou.Talvez se fosse pra falar deste nosso ponto de encontro que é "o meló", eu tivesse ido, porque tinha direito até a foto colorida, imagina! (Victor, eu sei que tú vai me esculhambar,hahhaa)
Seguindo os acontecimentos, fiquei very surpreso com os comentários elogiosos do último post.Eu não sabia que vocês estavam tão carentes e melosos.Pensei que se divertissem mais com as piadinhas sem maldade - que digo, de antemão - vão continuar!
Li ontem um conto interessantíssimo de Virgínia Woolf.Eu fico apoplético ao ver como uma pessoa consegue descrever tão bem e profundamente as coisas mais simples da vida.Ser tão poeta em tudo o quanto pode, até à morte.
Aos que estão cobrando o meu sumiço, não só aqui, mas no celular que só vive na caixa postal e a ausência nos grandes eventos que estão acontecendo.Não estou com a gripe suína. Foi apenas o meu celular que resolveu me abandonar (eufemismo para perdi).Estou meio anti $ocial também.
Eu sei que muitos estão abismados, pensando que o post de hoje seria em homenagem às nossas queridas mamães.Até a foto fez você pensar, mas fui honesto com o título.É que pensei sobretudo em vocês, que já devem estar ligeiramente cansados de ouvirem, pela janela, Agnaldo Rayol na vitrola do vizinho.De virem os nicks no msn, dos "filhotexx maixx queridoxx", inclusive a pessoa que vos fala, que fiz questão de colocar, mesmo sabendo eu, não ter uma mãe cibernética e que em hipótese alguma ela irá ver o recadinho.É mais pra desencargo de consciência.
Uma amiga ontem me ligou de Pasárgada, para dizer que separou-se.E já não é amiga do Rei. Coming soon! (recado dado, Dear Josefine.)
Ontem tbm, uma amiga resolveu me contar que está indo para Londres ou New York, ela ainda está em dúvida (cruel isso), ao findar o ano.Não sei por qual motivo as pessoas resolvem contar essas coisas e deixar nossos dias mais nublados.
Minha outra amiga, que já em Londres se encontra, ou em Paris, não sei.Resolveu não mais me dar notícias.Será que a querida está já a espirrar?
Hoje eu descobri que eu quero um amor, com prazo de validade de dois anos.
p.s:Já estou procurando uma terapia voluntária.
Estou com saudades da amiga que foi ver o Asa de Águia no Rio de Janeiro.Eu prefiro acreditar que não foi isso que a motivou conhecer a Maravilhosa Cidade.Mas Seu grande e louco Amor que a maltrata e faz sofrer.Ah, isso é tão Buarqueano! (na melhor das intenções, ou na pior pra que não gosta de sofrer de amor, porque diga-se de passagem, eu adoro.)
Eu tinha mais coisas pra falar, mas já não me lembro.
Só uma coisinha.
Mãe eu queria te dizer que você É ESSA COCA-COLA TODA!
p.s1: Eu não resisti.
p.s2: Eu sei que ela não vai ler isso.
p.s3: Eu amei essa propaganda.
p.s4: A foto do post, é de um site de imagens, internacional, e me deixou muito surpreso, pois procurando pela palavra-chave "mom", ela foi encontrada, mesmo sendo uma das últimas da pesquisa, com a legenda "Mom Brazil and baby".Seria a representante da maternidade brasileira? Achei curioso o fato.


Valeu galerinha, assim que Cri Cri entrar em Atividade, eu volto.


Para você que me ama,


tenho a honra de ser,


R.R.

domingo, 3 de maio de 2009

Pode entrar.



Hoje resolvi escrever sem parar.Sem esperar parir.Sem esperar Paris.
Sem pensar na palavra que vem, ou na que já foi.Sem arrependimento.
Sem ressentimentos.Sem borracha.
E qualquer coisa que vier, vai fisgar você.
Porque é escrita sem pretenção.
É como o Amor que chega sem bater à porta.
Vamos falar do amor.
Um dia me perguntaram se eu sabia do que se tratava isso que maltrata.
E ao mesmo tempo nos faz tão feliz.
Essa coisa tão óbvia e tão complexa.
Tão fácil e tão difícil de entender.
E eu não entendo.
Não sei.Não quero saber.
Quero viver.Sem saber de onde veio.
Quero o meu amor primeiro e mal educado, que entre sem abrir a porta.
Sem a inteligência previnitiva de olhar ao olho mágico.
Que não relute em aceitar quem quer que seja.
E que essa mágica se faça.E me faça triste ou feliz.
Eu quero amar.
E que seja a pessoa certa ou errada.
E eu acabe, assim como você, com essa estranha mania
de aperfeiçoar o imperfeito.
O amor, você que um dia me perguntou.
É um quadrado de três lados.
Uma circunferência pontiaguda.
Com pontas que ferem.
E sangram.
Um sangue vermelho de corante Tupy.
Que pulsa como bateria de escola de samba.
E nesse samba.Eu sambo, tú sambas, ele samba.
Porque não é carnaval, querida.
É Quadrilha.
Mas não é São João.
Tem assalto à mão amada e coração armado.
E coração na mão.
p.s: Nana, é pra você.
Ler.
Num café ou na Champs Elysées.
Em Paris.
Beijos,
Mon Pettit.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um dia, quem sabe...


Reza a lenda que devemos na vida fazer ao menos três coisas de importante.
Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho.
POis bem, não sei ao certo se serei obediente, quase nunca o sou.
Mas uma coisa de cada vez.
Já plantei uma árvore, mas um dia, falou um amigo meu:
- A árvore que a gente planta com a professora no jardim de infância, não vale.
Então tá.Inocente eu, já seria transgressor sem o querer ser.
talvez seja minha sina.
Mas não custa nada plantar um Jacarandá na Amazônia. Ou algo mais exótico.
Já que estamos tratando de mim.
Deixemos a árvore de lado.
Hoje o post é sobre a primeira das questões que permeia a lenda.
É a que mais prazer sentirei em realizar.Ter um livro meu.Só meu.
Não teria noite de autógrafos(?), nem coisas do gênero (?) (?).
Bastava ele está escrito, com palavras plantadas por mim.
Numa resma de papel ofícil.Em páginas do Word ou naqueles papéis que
vêm nossas compras do armarinho.
Não importa.Pouco importa.
Um dia, pensei em começar a escrever e o fiz.
E a mesma mania que tenho quando pego um livro pra ler.
Demoro horrores, pois tenho uma pena demasiada em acabar.
Isso os que eu gosto, claro.
Os que não gosto não páro no meio.Vou até o fim.Mas com uma pressa inquietante.
O mesmo me ocorreu quando comecei a escrever o tal livro meu.
Mas o motivo já era outro, logo percebi.
Não gosto muito das coisas que escrevo e tenho outra mania horrível.
Não leio o que escrevo, depois do ponto final.Senão, sou envolto por uma
vontade incessante de apagar e achar ridículo e fazer de outra forma.
E isso não tem fim.Talvez seja toc.Ou uma imitação, deveras tosca, de uma mania
da Clarice.
Mas se o contrário fosse, seria uma mania, deveras tosca, do Chico.
De ler e reler.E apagar e reescrever.Mas com um fim.E belo.Em se tratando do Chico.
Falo só Chico, porque não falaria de outro, dessa forma, que não do Buarque.
E a Clarice, não precisa esclarecer.É a Ucraniana.
Deveras toscas as manias, porque comigo o resultado jamais seria "Budapeste"
ou uma "Paixão segundo G.H".
Seria o fim do que vou mostrar-lhes agora, queridos leitores.
Desse início tosco, que não mais o será, de um livro que um dia será meu.

***

Este é o último dia de um ano qualquer.E me bate uma vontade estonteante de escrever sobre tudo.
Este livro - digo-te de antemão - querido leitor.Irá tratar sobre tudo.E sobre nada.
Pois como bem se sabe, quem faz tudo, nada faz.
Isso também não é coisa que eu dê grande importância.
Estranha mania essa que tem os escritores de só escrever coisas sobre um tema determinado.
Eu não.
Gosto de começar falando das flores e me perder no caminho.Falar do vento que movimenta a cortina na janela, do que se passa na cabeça de um americano que age gloriosamente por sua nação.Falar sobre as privadas secretas da Madonna, decifrar os neologismos do Gil.
Não sei se irá conseguir ler esse amontoado de palavras até o final.
Palavras ingênuas que não estão aqui por motivo algum, senão o mesmo que o fez sentir a vontade de pegar este livro e não outro.
Também não estou querendo propôr qualquer espécie de desafio.Não seria covarde a tal ponto.Só mesmo quem não tem muita coisa interessante a fazer, continua a ler um livro, sobre o qual já se disse.Não tratará sobre coisa alguma.
Bem, como comentei no início desta página, hoje é o último dia de um ano qualquer.
As pessoas normais estão a preparar suas ceias, comprando beleza num salão, desejando votos de boa-virada aos homens de bem, com os quais se cruza na calçada.
Eu preferi admirar a vaidade do coronel Kurtz no vídeo, vê-lo fazer malvadezas ao som de "O passeio das Valkírias" e dirigir um filme na minha cabeça, com analogias sobre a vida.Pois a mesma vaidade que o faz matar um tanto de gente que pensa o seu avesso, é a mesma vaidade que faz um tanto de políticos deixar um bocado de gente sem um tostão no bolso pra tomar uma cidra nesta data onde a esperança de pobres e ricos se renova.
Queria ter o poder de registrar esse segundo de agora e cada um que se seguir.
Havia de ter palavras para cada coisa?Um dia me disseram que há palavras para tudo.Que pode até faltar coisas, mas as palavras são o nosso mar.
Como deveria de ser bom, ter todo segundo o seu registro.Termos conhecimento de todo o tempo do mundo, espalhado pelos planetas, em enciclopédias gigantes.Assim como já sonhou o grande Português ao falar das biografias universais.
Dessa forma, podia até não existir mentiras.Quem ia arriscar contar alguma história sem um fundo de verdade se poderíamos de imediato fazer nossa pesquisa precisa e imediata.
Partindo anos-luz numa calda de cometa.Em direção à Saturno ou à Plutão.

***
Hoje é outro dia. Não mais o primeiro de outro ano qualquer. Também não direi qual, pois ainda não importa saber. De que nos vale saber o dia em que estamos, se o que nos importa de fato é o que sentimos e como nos sentimos ao nascer de cada novo dia. Mesmo que este seja velho e sintamos a mesma brisa de ontem e antes de ontem.
Não vou mais falar em data, para que as palavras não tenham prazo de validade.
Nada deveria ter prazo de validade. Ou tudo, como queira. Visto que nada é tudo e tudo é nada.
E tudo que escrevi até agora sinto que não me apraz.
Penso n'alguma coisa que realmente valha à pena escrever. Nesta mesma hora em que digo isto, me ocorre justamente o seu contrário.
Tudo na vida é escrevível.Embora algumas coisas escrevamos com mais apreço.
Pois bem, irei falar da vida.
Esse evento que nos pári e nos enterra.
A vida é o passar dos dias "meu bem".
É uma fita métrica que não sabemos ao certo até onde vai. Cheia de um vazio plasmático que insistimos em preencher de sentido e às vezes se finda sem.
É um instante no tempo em que a gente deseja amar alguém, sem se importar com sua recíproca. Ainda que o maior dos egoístas.
Há quem a deixe levar e quem a carregue nos braços. Quem a cuide sob uma redoma de vidro e quem a tome numa taça de champagne.
A vida é um espetáculo, em todos os sentidos que a palavra possa expressar.
Então, um brinde.Com Chandon ou Cereser.

***

Desculpem pelo transtorno dessas medíocres palavras.
E isso não é querendo fazer tipo ou receber elogios e fazer a linha modesto.
A modéstia realmente não é uma das minhas virtudes.
É que não gosto.
Mas bem sei que há quem gostaria de ler.
E como não mais será o início do meu amado livro, deixo, com grande dor registrado aqui.
Para que eu bem sei que gostaria de ler.
É pra você, Meu Bem.
Esso longo post é só pra você.Querendo fica com os direitos autorais.

Um dia, quem sabe...

Para você que me ama,
tenho a honra de ser.

R.R.



p.s: do filho a gente fala n'outro dia, logo depois da árvore.

domingo, 26 de abril de 2009

Pra rir e chorar e chorar de rir.


A vida mesmo louca e absurda - diga-se de passagem, muito mais absurda que louca - é um eterno aprendizado.Nos reitera sempre, nossa grandiosíssima filósofa Grega (obrigado Nana, pela lembrança) Narcisa Tamborindeguy ( acho que é assim que se escreve).


Mas digo melhor, dear Narcisa. Louca, absurda e engraçada.

Very funny!


E foi pensando nesse pensamento plausível, que surgiu o post de hoje, que será um pouco mais curto ( para os que têm preguiça de ler, uma grande felicidade).


Passeando pela net, pela Dinha e pela Globo que eu compreendi Narcisa.


Em seu belíssimo blog, o dj-mais-badalado-das-celebridades Zé Pedro, costuma fazer 10 perguntas a algumas miguxas famosas. Algumas delas me fizeram rir bastante, vamos ver se em vocês, leitores do meu corachãoginho, surtirão o mesmo efeito.


dj-mais-badalado pergunta à cantora-com-uma-flor-sempre-no-cabelo Vanessa da Mata:


* O que a Vanessa da Mata tem que as outras cantoras não têm?


cantora-com-uma-flor-sempre-no-cabelo responde:

- CABELO.


p.s: hauahuhauhahaha.Alguém mais aí tinha dúvida disso???Pensei.Mas logo me veio à memória.

E a Diva Bethânia?E a Gal-sempre-pra-frente-Costa?E a Elisa Lucinda? E a Paula Lima?

É Vanessinha, muito cabelo, pouca memória.


dj-mais-badalado pergunta à cantora Marrom-bom-bom-de-unhas-postiças Alcione:


* Você gosta de fazer uma loucura ao vivo ou gravar 100% no estúdio ?
Marrom-bom-bom-das-unhas-postiças responde:

- Eu adoro cantar ao vivo e tenho o costume de cantar em estúdio, mas cantar ao vivo prá mim é melhor.


p.s:Ou cantar para ela é realmente uma loucura, ou ela não entendeu o "x" da question.

Pense grande efusiva Marrom! Tão grande quanto suas horripilantes unhas. (risinhos maldosos)


dj-mais-badalado pergunta à cantora-cult-desse-blog Mallu Magalhães:


Você sai pra dançar?

M.M: Dentro de mim, lógico. (sair para dentro é ótimo, né gente? e dançar dentro de si então, deve ser uma magavilha) Viva as coisas ilícitas da vida!


dj-mais-badalado insiste:

E fora?

M.M: Não. Mas às vezes é legal. (decida-se pequena Mallu.Se não, como às vezes é legal?)E sair pra fora já é um pouco demais não é dj-mais-badalado?


Passeando ontem por Dinha, vagando devido ao cake de dois amigos sacanas, e conversando com uma criatura-louca-e-absurda mas gente fina, entramos no tema idade. A criatura-louca-e-absurda duvidou dos meus 22 aninhos, mostrando eu, a minha carteira de identificação e ela a olhar, fui surpreendido pela seguinte colocação:


- Ai, que vontade louca de dar um beijo na sua boca!


p.s: Ao vivo, antes de mostrar o documento, a vontade não havia surgido? Me conta o que tem de tão especial, carteira-maldita-de-identidade, que eu não tenho.Estranho, né?

E para os curiosos de plantão, o beijo não rolou. (maldito photoshop!)


Sem querer, liguei a televisão e o que está passando? A loira-que-já-passou-da-hora-Meneguel, entrevistando a sempre-bela-jornalista-e-também-Poeta-Patrícia.

E fui novamente surpreendido ao ver a loira reencarnar um guru de óculos azuis, falando segura e alegremente à amável jornalista:

- Vê só meus baixinhos, ela tem o dedinho assim e assado, olha que bacâna!E quem tem o dedinho assim e assado vai viajar o mundo inteiro.Você vai viajar o mundo inteiro Patrícia!


p.s: Ela acha que realmente somos baixinhos idiotas, né?Com o dinheiro que a Poeta ganha e tendo um colega de trabalho como o mais-que-viajado-Zeca-Camargo, não é difícil de imaginar isso.Não precisa ter o dedinho assim e assado.

Aliás, a loira dos dedinhos é outra, ou eu estou redondamente enganado?


No mais, uma coisa muito engraçada que vi no último feriado, ao viajar para a minha amada Cipó, deparei-me, sem querer, calma, com uma funerária por nome HELP THE FAMILY.

Isso mesmo, com merecidas caixas altas, pensei por alguns segundos, já ter passado dessa para melhor.


É isso.E o que nos resta é só a filosofia do Raulzito.


"Controlando a minha maluquez, misturado com minha lucidez, eu vou ficar maluco beleza."


Gente, não ficou tão curto quanto eu pensava, eu sempre me empolgo.

Sorry preguiçozinhos!


Para vocês que me amam,

tenho a honra de ser.


R.R.

sábado, 25 de abril de 2009

Não conta tudo pra sua mãe Kiko!


Certa vez ouvi a seguinte frase:


"Ser mãe é padecer no paraíso."


O autor, suponho eu, deve ser desconhecido - ou se a frase é de alguém famoso, desculpa a ignorância do pequeno blogueiro.Como todos já sabem, naosoucultcomoamallu.

Desconhecido, e diga-se de passagem, nada conhecedor das mamuskas, isso se a frase não é

de alguma mãe à beira de um precipício, tentando ser dramática.

Mas, se verdade for, essa minha hipótese, a frase deve ser lá dos idos do século XVII.

Visto que, segundo meu "brother" Aulete Digital:

- padecer: sofrer.

Agora imagina você se alguém, em sã consciência, vai mesmo sofrer no paraíso.

E as mães, diga-se de passagem, estão cada vez mais espertinhas.

E é sobre a "mamys revolution", esse post de hoje.

Elas não declamam mais aquelas frases que nós já estávamos cansados de ouvir.E já não sei

se isso é tão bom.


Algum tempo atrás, meu-mais-cômico-amigo Cainã Monteiro contou-me uma breve discussão

com sua mãe-quarentona-bailarina.O assunto sobre o qual discutiam, eu não lembro ao certo, pois como verão, pouco importa nesse destemido diálogo:


(discutem em sala de seu apartamento-tudo-no-lugar)

(Cainã joga um copo no chão)


Mãe-quarentona-bailarina, fala:

- Meu filho, você está ficando louco?

Cainã responde:

- Minha mãe, não fale muito não porque o próximo pode ser em sua cabeça.

Mãe-quarentona-bailarina retruca:

- Ah, se eu fosse você não faria isso, senão vou ter de te internar e isso não vai ser legal, né?

(acaba o diálogo-amoroso-sem-ironia)


R.R (euzinho aqui), apoplético, ou como dizia o nosso querido Manuel Bandeira, "alumbrado" com aquele texto-de-mãe-pra-filho, não exitei em pensar com meus botões.

As mães já não dizem o que diziam alguns anos atrás.

Sendo essa "conversa" ao menos na década de noventa, a Mãe-quarentona-bailarina, falaria:

- Faz isso denovo que eu te arrebento os dentes.


Não ouvimos mais as mothers dizerem aquelas frases clichês, tipo:

"volta aqui, ou senão, você sabe o que acontece..." (beliscão na certa)

"engole esse choro, que eu não te bati pra você estar chorando." (cinismo)


Não se preocupe, Querido Cai. Dante já colocaste a humilde Konstanze no paraíso da sua Divina Comédia, sem padecer.


Essa história só me fez pensar que os filhos não podem ficar para trás.Se as mães estão demasiado globalizadas em suas respostinhas, decidi também provocar a pequena Valdicéa.


Pequena-bronzeada-Valdicéa, fala:

- O que significa isso, R.R? (com as minhas duas últimas faturas exorbitantes do meu precioso cartão de crédito)

R.R, pego de surpresa:

-São as faturas do meu cartão.

Pequena-bronzeada-Valdicéa, diz:

-Eu não sou idiota, sei bem que isso são duas faturas de cartão, pergunto, o que significa esse valor aqui, já que você está na capital somente para estudar e não para farrear com esses seus amiguinhos (sentiu o preconceito, né?)

R.R, retruca:

- Ah, minha mãe, e minha vida social, como fica? (pessoas-de-classe-média-como-eu não devem demonstrar para suas mães, preocupação com o círculo social)

Pequena-bronzeada-Valdicéa, responde calmamente:

-Tá, então avisa pros seus coleguinhas que hoje você não vai sair, toma o dinheiro que compraríamos o seu computador e vai lá pagar isso aqui.


Não tão irônica como a Mãe-quarentona-bailarina, a Pequena-bronzeada-Valdicéa mostrou-se clara e objetiva.


Portanto, vai um alerta, queridos leitores, não vá pensando que as respostas das mamadis serão as mesmas de outrora.

Não existe mais o "cala boca menino e come logo" "não me desminta na frente de ninguém senão te quebro quando chegar em casa" ou ainda "melhor você rezar pra que isso seja verdade".


E vocês, qual a melhor resposta que já ouviram de suas cybernéticas mães? (estou louquinho para saber)
Logo, para que maiores surpresas sejam evitadas e para que não fiquem Bege-neblina, assim como eu e meu amiguxo, fikadika da Pops ( ou seria Pop?):


- Não conta tudo pra sua mãe Kiko. (adaptação by me)


Para você que me ama,

tenho a honra de ser,


R.R.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Milperdões!


Mallu, querida.
Fãs da Mallu, queridos.
Milperdões!
O nome do blog e os posts que seguir-se-ão neste,
nada tem a ver com algum tipo de enfurecimento
com o novo fenômeno da música pop, a garota prodígio.
Vejam, queridos leitores, que fenômeno ou prodígio, não estão
entre aspas, o que sugeriria uma espécie de ironia.
Que não combina com a minha personalidade.
Como vocês verão daqui pra frente.
Acho até interessante uma moçoila, pedir dinheiro de presente de quinze anos
aos seus queridos avós, começar a pensar mais em si, gravando suas músicas
e postando no MySpace.
Se prestarmos muita atenção, há muito de cult nisso. E é tudo que falta em mim.
(Sorry, pequeno blogueiro!)
Há liberdade resplandescente, há originalidade ( por não ter escolhido um bom baile de debut).
Mas arriscar-se no seu álbum début, com faixas também originais, com nomes intrigantes.
Como a sua primogênita "Tchubaruba".Mas, quais compositores brasileiros, já não deram
títulos, no mínimo criativosos, às suas modinhas?
Diga-se de passagem "Patumbalacundê" do Gil, que ainda com todo o seu significado é um tanto
vitamina-de-abacate-com-leite-de-cabra-e-uma-colher-de-mel.
Nada contra também aos nomes estranhos, gostaria de ressaltar que o nome da minha mãe
é Valdicéa.
Para os engraçadinhos que já riem.
Não, não é a mistura do nome do meu avô com o da minha avó.
Há, ainda na Mallu, a ousadia de cantar em inglês.Digo ousadia no bom sentido.
p.s:essas pontuações que faço agora, de bom ou mau sentido, não mais existirão nos próximos posts, deixarei à sua disposição, julgar-me e decidir o teor do vocábulo, decifrando assim o meu humor de cada dia.
Voltando ao cantar em inglês, digo mesmo ousadia, porque são poucos os se arriscam.
Ressalto Danni Carlos, a qual o faz com bastante talento, sem falar na Bebel Gilberto, que mesmo com um sobrenome que não somente ajuda - mas dá um nocaute a lá Popó - tem um enorme reconhecimento internacional, visto que serviu de trilha sonora no filme "Closer-Perto demais".
Voe alto pequena Mallu! O Mike Nichols já já estará batendo á sua porta.
Ah, tem o Caetano também, que que canta em inglês, sim, em inglês.
Com um sotaque baianês que lhe é inato e que eu adoro!
Mas, o que não pode fazer o Caetano?
Prontofalei!
Esse foi o post-début-do-mais-novo-blog-que-entra-pra-high-society.
De início teria um outro tema, mas por si só resolveu ser auto-explicativo.
Só para mostrar que não é um blog que tratará sobre as genialidades
de uma garota de quinze, dezesseis, ou dezessete anos, nem sobre suas
habilidades musicais, ou sorte e talento na indústria fonográfica.
Mas sobre tudo.Sobre o que vier à cabeça.Sobre devaneios.
Sobre o novo botox da Hebe, o novo escândalo (sempre previsível)
do Dado Dolabela, sobre alguns amigos meus ( que ainda não apareceram
na Globo), mas que fazem um sucesso danado, sobre o cobertor de seda
egípcia de Dadá.
Enfim, sobre as coisas boas e as coisas nem-tão-boas da vida.
Espero que tenham gostado.Espero que continuem gostando.

Para vocês que me amam,
tenho a honra de ser,

R.R