
"Que prazer rever vocês."
Foi com essas palavras que o rei - falo do Roberto - saudou domingo passado, seus súditos, no evento em que "Elas" - as Divas da Mpb - o cantavam, homenageando-o.
Com essas mesmas palavras, saúdo a vocês, meia dúzia minha, de leitores fiéis.
Não com a mesma magnificência, isso o sei bem.Mas com a mesma saudade.
Por isso essa força estranha me leva a escrever-vos.
Bloguemia, aqui me tens de regresso.E, suplicante eu te peço, a minha nova inscrição.
Hoje, meu dia começou ao findar a tarde.Hora em que me apetece estar em casa e sempre só, como já sabem alguns poucos amigos.
Aos engraçadinhos, "não, eu não quero ser a Maria Bethânia!".
Resolvi querer saber de notícias de antigos vizinhos meus.
Sendo mais claro, o casal mais intrigante que já conheci.
Não daria "nomes aos bois", como vulgarmente se fala, quando não se quer comprometer a dignidade de outrem, mas só e somente só, se estes fossem nomes quaisquer, o que não é o caso.
São eles, Siegrid Guillaumon Dechandt (lê-se Zigrêti Guiomom Dêchan) e Adroaldo.
Não lembro o sobrenome de Adroaldo, mas não passa de um "Silva" ou um "dos Santos". Vulgarmente chamados Zig e Dodô.
A partir deles eu descobri que certos nomes não haveriam de poder ter apelidos.
Liguei para o palácio dos Dechandt - é assim que sinto quando ligo para a residência dos amados.
Adroaldo atendeu-me perguntando quem falava, não senti deselegância alguma nessa atitude , tamanha a sua sinceridade. Respondi e tudo foram flores.
Perguntei-lhe sobre como estavam ele e a queridíssima esposa, minha adorável colega.
Fui surpreendido com a notícia que Siegrid encontrava-se morando em São Paulo. E que haviam se separado. Esse seria o motivo da minha visita de logo mais algumas horas e o único tema de nossa conversa.
Adroaldo é de origem humilde, nasceu na Chapada Diamantina, onde conheceu Siegrid e o amor aconteceu.
Siegrid, no entanto, é filha da classe média-alta paulistana, aos dez anos ou onze, não me recordo com precisão, fez intercâmbio com seus dois irmãos, também com idades semelhantes, para a Alemanha.Lugar de onde descendem seus avós paternos.
Seus avós maternos, por sua vez, vieram do interior da França.Motivo o qual, levou Siegrid, sua mãe, irmã e irmão numa viagem a uma pequena cidade francesa, há dois anos atrás, em busca de suas raízes, da história de sua gente.
Descobriu-se cartas, escritas no navio que os trouxeram - os avós - até as terras brasilis.
Descobriu-se o amor que continha nessas cartas.
Um ano após essa viagem, o casal seguiu para o Nepal, passando por Paris na volta.
Disso fiquei sabendo em Dezembro passado, logo depois que chegaram, numa visita de final de ano que os fiz.
Siegrid e Adroaldo se amavam como raramente vi casal algum, eles em nada combinavam - a la Eduardo e Mônica - e se completavam de uma forma ímpar, provando a quem quer que fosse, mesmo sem qualquer intenção, que amor nada tem a ver com pequenas similaridades coincidentes, mas com abraçar a causa, um do outro.Tornando-se um só, sem deixar de ser dois.
Foi o fim dessa relação que ouvi Adroaldo me contar, com dor transparente, ao som dos Rolling Stones, enquanto ele fazia trabalho da faculdade e eu, lia, roubado da estante de livros de Siegrid, que lá ainda se encontrava, a versão original em espanhol de "La razon de mi vida" de Evita Perón.
A mais bela carta de amor que já li.Diga-se de passagem, amor e Perón em noventa por cento das palavras.
Contrariando os versos do Poeta português.Nem todas as cartas de amor são ridículas.
Bebemos uma taça de bom vinho e tomamos algumas xícaras de maravilhoso café preparado pelo próprio Adroaldo.O qual me contava alguns detalhes daquele choroso caso, que por alguns instantes me recorria ter sido escrito pelo Nelson Gonçalves.Como as coisas se deram e a angústia dele em não saber o motivo concreto do fim.
Deixou claro para mim o quanto de amor ainda restava em seu peito e me falou das armas que o casal usou, no momento da defesa de suas causas.
A leitura de alguns artigos de Freud, sobre as decisões conscientes, para rebater os argumentos sempre impreterivelmente prontos e concretos e rochosos de Siegrid, leitora antiga e segura, não só de Freud, como de Jung, Miss Blavatzq e a Doutrina Secreta, conhecedora de coisas relevantes da vida, da história do mundo, da história das coisas.
A humildade de Adroaldo é algo fascinante e foi com tal humildade que o ouvi atender ao telefone que acabava de tocar.
Do outro lado da linha, Siegrid. Conversaram alguns minutos, sobre coisas que não tinham a importância que a própria ligação tinha em si.
Os olhos de Adroaldo brilhavam, como brilham fios de mel no café da manhã sob o sol exuberante que teme em aparecer pelas frestas da janela sem cortina.
Seu desconserto era notável e ao fim da ligação ele não se conteve em colocar um tango argentino pra tocar, caindo bem melhor que um blues.
Falava-me que aquele cd de tangos, tinha sido dado a ele por Siegrid, que trouxera de uma viagem à Argentina há alguns dias do término da relação.
Ele confessou-me ter recusado o presente, com o argumento de que o faria sofrer, mas antes da partida de Siegrid, gravou-o em seu notebook, num ato de puro mazoquismo, como ele mesmo se referia.
Como nada, na minha vida pelo menos, acontece por acaso.Estava ali em minhas mãos a história de amor de Evita.
O sentido que Evita dava ao amor, descortinava em minha frente, me fazendo entender a situação.Me fazia perceber em qual dos dois grupos de homens estava Adroaldo e a relevância do que podia ter levado Siegrid a tamanho ato de coragem e egoísmo.
Da Argentina, Siegrid trouxe, além dos tangos, um livro do Museo Evita, para Adroaldo.
O qual me falava com o sentimento à flor da pele, literalmente como a expressão nos confere, sobre o ardor que aquela capa lhe causava. Uma fotografia de Evita - mulher forte, amante e líder, como sua Siegrid - dando adeus.
Isso tudo com bastante pesar.E com inimaginável conhecimento semiótico, aquele nobre camponês discorria seu sofrer.
Adroaldo é bombeiro.
Siegrid é Mestre em Administração, formada pela USP e no momento faz sua tese de Doutorado, em São Paulo, a alguns muitos quilômetros de Adroaldo, que cursa Museologia na Faculdade Federal da Bahia, no Recôncavo e ajuda a salvar vidas na capital baiana.
Já ganhei presentes de Adroaldo e Siegrid.
Uma bermuda jeans de cor amarronzada e o livro "Iniciação à Estética", de Ariano Suassuna, com belíssima dedicatória.
E já não se faz necessário dizer de quem foi cada um dos presentes.
Certa vez, ouvi num vídeo no Youtube, uma escritora que muito estimo, dizer em entrevista, que o Amor são ciclos que se fecham de sete em sete anos.
Coincidentemente eu já percebi que a minha vida é feita de ciclos que se fecham de sete em sete anos.Já consegui fechar três e estou no início do quarto.Do quarto ciclo, não do quarto amor.Esses foram muitos num ciclo de sete anos.
Mas talvez a conclusão a qual chegou a escritora que tanto gosto, seja um bom consolo para Adroaldo.Embora não o tenha feito conhecedor dessa teoria.
Nesses momentos eu não sei fazer mais nada além de escutar e comentar sobre algumas coisas que não têm muito sentido.
Como conselheiro eu sou um ótimo ouvinte.
Disso sabem bem todos os meus poucos amigos.
Aquela conversa, meio monólogo de Adroaldo, me faria ficar noite a fio, naquela sala agradável, de clima aconchegante, mas era dada a hora de partir.
As obrigações do dia de branco nos forçava a despedir-se um do outro.
Na volta pra casa, um filme "noir" se passou pela minha cabeça.
O roteiro era batido, mas algumas coisas eram novas.
Como a certeza de que as coisas acabam, mesmo antes do fim.
Contrariando David Lynch, que diz que um bom filme não pode ter um fim que pareça ser o meio.
Falando em David Lynch, a lembrança dele veio à memória, porque folheei também, seu último livro, que se encontrava na estante de Siegrid.
No qual ele fala de meditação e de algumas coisas que me fizeram ver que não só na minha vida, as coisas não acontecem por acaso.
É meio inacreditável saber que Lynch conheceu Felini num leito de hospital - enquanto este encontrava-se internado - por intermédio de um colega de trabalho dele, dois dias antes da morte de Felini.E os dois tiveram uma longa conversa de uma hora e meia e tornaram-se amigos pra sempre.
O pra sempre de um estava por acabar.O pra sempre, sempre acaba.Cantava Cássia Éller.
A qual fez grande falta no "Elas cantam Roberto" (mudando de pau para cacete, mas fazendo um ótimo link).Risos.
Falando do "Elas cantam Roberto", um momento memorável pra mim, foi ver Daniela cantando "Esqueça", vestida num reluzente e curtíssimo vestido de lantejoulas, acompanhado por um par de botas de cano alto, inicialmente mal vestida, quando não mais que de repente surge para cantarolar junto a ela, a Sempre-Jovem-Guarda-Wanderléia, com a mesma proposta do devasso figurino.E Juntas, como putas absolutas de si - digo puta, no melhor sentido que a palavra possa significar - deixando a dica a todos os amantes ouvintes, que "esqueça se ele não te ama, te faz sofrer e até chorar", assim, como donas de inebriante conhecimento do amor.
Coisas que eu não entendo 1.Como pode a Marília Pêra roubar sempre a cena?
A mulher era o próprio amor, numa interpretação que embebedou a todos.Sendo a melhor cantora e a melhor atriz.Aos berros, como quem ama.
Coisas que eu não entendo 2. Como pode num evento como esses, não ter Maria Bethânia e Gal, cantando Roberto?
A primeira eu não entendo até agora e a segunda, logo perto de acabar o show, ao aparecer uma outra cantora de voz rouca, entendi de imediato sua falta.
Também não gostei de ver a Calcanhotto só ao findar do show, cantando meia dúzia de palavras numa canção compartilhada por todas as outras amantes.Isso poderia ficar a cargo somente da Paula Toller.
Não ver e ouvir Marisa, também foi um desconsolo.Ao passo que Ivete Sangalo cantou duas músicas, num privilégio só a ela concedido, ao menos pela Globo.Injustiça com as cantoras de batom-vermelho-forever-na-boca.
Nada contra Ivete, a qual está grávida e merece uma atenção especial e eu muito estimo.Mas enquanto Marisa cantarolasse uma "modinha" ela podia ir buscar Dalila ligeiro, ligeiro.
Outra coisa importante de se pontuar, é ver que as superstições do Rei com a cor marrom, chegaram ao fim, visto que Alcione-Marrom-Bom-Bom foi uma das divas escaladas.
Ainda assim, o show me emocionou e espero que tenha emocionado a Siegrid também.
Que ela tenha lembrado de Adroaldo, o qual está a sofrer, direto do bairro da Federação.
Eu lembrei do meu amor.
Fiquei com vontade de ligar e dizer "Pois sem você, meu mundo é diferente, minha alegria é tristeeee", la razon de mi vida.
Mas não tenho mais o número, já não sei por onde andas, nem por quais cozinhas se esconde.
E o dia-de-sentir-inveja-de-quem-tá-namorando está chegando!
Viva o amor.
Viva a inveja.
Viva a vida.
Para vocês que me amam,
tenho a honra de ser,
R.R
Foi com essas palavras que o rei - falo do Roberto - saudou domingo passado, seus súditos, no evento em que "Elas" - as Divas da Mpb - o cantavam, homenageando-o.
Com essas mesmas palavras, saúdo a vocês, meia dúzia minha, de leitores fiéis.
Não com a mesma magnificência, isso o sei bem.Mas com a mesma saudade.
Por isso essa força estranha me leva a escrever-vos.
Bloguemia, aqui me tens de regresso.E, suplicante eu te peço, a minha nova inscrição.
Hoje, meu dia começou ao findar a tarde.Hora em que me apetece estar em casa e sempre só, como já sabem alguns poucos amigos.
Aos engraçadinhos, "não, eu não quero ser a Maria Bethânia!".
Resolvi querer saber de notícias de antigos vizinhos meus.
Sendo mais claro, o casal mais intrigante que já conheci.
Não daria "nomes aos bois", como vulgarmente se fala, quando não se quer comprometer a dignidade de outrem, mas só e somente só, se estes fossem nomes quaisquer, o que não é o caso.
São eles, Siegrid Guillaumon Dechandt (lê-se Zigrêti Guiomom Dêchan) e Adroaldo.
Não lembro o sobrenome de Adroaldo, mas não passa de um "Silva" ou um "dos Santos". Vulgarmente chamados Zig e Dodô.
A partir deles eu descobri que certos nomes não haveriam de poder ter apelidos.
Liguei para o palácio dos Dechandt - é assim que sinto quando ligo para a residência dos amados.
Adroaldo atendeu-me perguntando quem falava, não senti deselegância alguma nessa atitude , tamanha a sua sinceridade. Respondi e tudo foram flores.
Perguntei-lhe sobre como estavam ele e a queridíssima esposa, minha adorável colega.
Fui surpreendido com a notícia que Siegrid encontrava-se morando em São Paulo. E que haviam se separado. Esse seria o motivo da minha visita de logo mais algumas horas e o único tema de nossa conversa.
Adroaldo é de origem humilde, nasceu na Chapada Diamantina, onde conheceu Siegrid e o amor aconteceu.
Siegrid, no entanto, é filha da classe média-alta paulistana, aos dez anos ou onze, não me recordo com precisão, fez intercâmbio com seus dois irmãos, também com idades semelhantes, para a Alemanha.Lugar de onde descendem seus avós paternos.
Seus avós maternos, por sua vez, vieram do interior da França.Motivo o qual, levou Siegrid, sua mãe, irmã e irmão numa viagem a uma pequena cidade francesa, há dois anos atrás, em busca de suas raízes, da história de sua gente.
Descobriu-se cartas, escritas no navio que os trouxeram - os avós - até as terras brasilis.
Descobriu-se o amor que continha nessas cartas.
Um ano após essa viagem, o casal seguiu para o Nepal, passando por Paris na volta.
Disso fiquei sabendo em Dezembro passado, logo depois que chegaram, numa visita de final de ano que os fiz.
Siegrid e Adroaldo se amavam como raramente vi casal algum, eles em nada combinavam - a la Eduardo e Mônica - e se completavam de uma forma ímpar, provando a quem quer que fosse, mesmo sem qualquer intenção, que amor nada tem a ver com pequenas similaridades coincidentes, mas com abraçar a causa, um do outro.Tornando-se um só, sem deixar de ser dois.
Foi o fim dessa relação que ouvi Adroaldo me contar, com dor transparente, ao som dos Rolling Stones, enquanto ele fazia trabalho da faculdade e eu, lia, roubado da estante de livros de Siegrid, que lá ainda se encontrava, a versão original em espanhol de "La razon de mi vida" de Evita Perón.
A mais bela carta de amor que já li.Diga-se de passagem, amor e Perón em noventa por cento das palavras.
Contrariando os versos do Poeta português.Nem todas as cartas de amor são ridículas.
Bebemos uma taça de bom vinho e tomamos algumas xícaras de maravilhoso café preparado pelo próprio Adroaldo.O qual me contava alguns detalhes daquele choroso caso, que por alguns instantes me recorria ter sido escrito pelo Nelson Gonçalves.Como as coisas se deram e a angústia dele em não saber o motivo concreto do fim.
Deixou claro para mim o quanto de amor ainda restava em seu peito e me falou das armas que o casal usou, no momento da defesa de suas causas.
A leitura de alguns artigos de Freud, sobre as decisões conscientes, para rebater os argumentos sempre impreterivelmente prontos e concretos e rochosos de Siegrid, leitora antiga e segura, não só de Freud, como de Jung, Miss Blavatzq e a Doutrina Secreta, conhecedora de coisas relevantes da vida, da história do mundo, da história das coisas.
A humildade de Adroaldo é algo fascinante e foi com tal humildade que o ouvi atender ao telefone que acabava de tocar.
Do outro lado da linha, Siegrid. Conversaram alguns minutos, sobre coisas que não tinham a importância que a própria ligação tinha em si.
Os olhos de Adroaldo brilhavam, como brilham fios de mel no café da manhã sob o sol exuberante que teme em aparecer pelas frestas da janela sem cortina.
Seu desconserto era notável e ao fim da ligação ele não se conteve em colocar um tango argentino pra tocar, caindo bem melhor que um blues.
Falava-me que aquele cd de tangos, tinha sido dado a ele por Siegrid, que trouxera de uma viagem à Argentina há alguns dias do término da relação.
Ele confessou-me ter recusado o presente, com o argumento de que o faria sofrer, mas antes da partida de Siegrid, gravou-o em seu notebook, num ato de puro mazoquismo, como ele mesmo se referia.
Como nada, na minha vida pelo menos, acontece por acaso.Estava ali em minhas mãos a história de amor de Evita.
O sentido que Evita dava ao amor, descortinava em minha frente, me fazendo entender a situação.Me fazia perceber em qual dos dois grupos de homens estava Adroaldo e a relevância do que podia ter levado Siegrid a tamanho ato de coragem e egoísmo.
Da Argentina, Siegrid trouxe, além dos tangos, um livro do Museo Evita, para Adroaldo.
O qual me falava com o sentimento à flor da pele, literalmente como a expressão nos confere, sobre o ardor que aquela capa lhe causava. Uma fotografia de Evita - mulher forte, amante e líder, como sua Siegrid - dando adeus.
Isso tudo com bastante pesar.E com inimaginável conhecimento semiótico, aquele nobre camponês discorria seu sofrer.
Adroaldo é bombeiro.
Siegrid é Mestre em Administração, formada pela USP e no momento faz sua tese de Doutorado, em São Paulo, a alguns muitos quilômetros de Adroaldo, que cursa Museologia na Faculdade Federal da Bahia, no Recôncavo e ajuda a salvar vidas na capital baiana.
Já ganhei presentes de Adroaldo e Siegrid.
Uma bermuda jeans de cor amarronzada e o livro "Iniciação à Estética", de Ariano Suassuna, com belíssima dedicatória.
E já não se faz necessário dizer de quem foi cada um dos presentes.
Certa vez, ouvi num vídeo no Youtube, uma escritora que muito estimo, dizer em entrevista, que o Amor são ciclos que se fecham de sete em sete anos.
Coincidentemente eu já percebi que a minha vida é feita de ciclos que se fecham de sete em sete anos.Já consegui fechar três e estou no início do quarto.Do quarto ciclo, não do quarto amor.Esses foram muitos num ciclo de sete anos.
Mas talvez a conclusão a qual chegou a escritora que tanto gosto, seja um bom consolo para Adroaldo.Embora não o tenha feito conhecedor dessa teoria.
Nesses momentos eu não sei fazer mais nada além de escutar e comentar sobre algumas coisas que não têm muito sentido.
Como conselheiro eu sou um ótimo ouvinte.
Disso sabem bem todos os meus poucos amigos.
Aquela conversa, meio monólogo de Adroaldo, me faria ficar noite a fio, naquela sala agradável, de clima aconchegante, mas era dada a hora de partir.
As obrigações do dia de branco nos forçava a despedir-se um do outro.
Na volta pra casa, um filme "noir" se passou pela minha cabeça.
O roteiro era batido, mas algumas coisas eram novas.
Como a certeza de que as coisas acabam, mesmo antes do fim.
Contrariando David Lynch, que diz que um bom filme não pode ter um fim que pareça ser o meio.
Falando em David Lynch, a lembrança dele veio à memória, porque folheei também, seu último livro, que se encontrava na estante de Siegrid.
No qual ele fala de meditação e de algumas coisas que me fizeram ver que não só na minha vida, as coisas não acontecem por acaso.
É meio inacreditável saber que Lynch conheceu Felini num leito de hospital - enquanto este encontrava-se internado - por intermédio de um colega de trabalho dele, dois dias antes da morte de Felini.E os dois tiveram uma longa conversa de uma hora e meia e tornaram-se amigos pra sempre.
O pra sempre de um estava por acabar.O pra sempre, sempre acaba.Cantava Cássia Éller.
A qual fez grande falta no "Elas cantam Roberto" (mudando de pau para cacete, mas fazendo um ótimo link).Risos.
Falando do "Elas cantam Roberto", um momento memorável pra mim, foi ver Daniela cantando "Esqueça", vestida num reluzente e curtíssimo vestido de lantejoulas, acompanhado por um par de botas de cano alto, inicialmente mal vestida, quando não mais que de repente surge para cantarolar junto a ela, a Sempre-Jovem-Guarda-Wanderléia, com a mesma proposta do devasso figurino.E Juntas, como putas absolutas de si - digo puta, no melhor sentido que a palavra possa significar - deixando a dica a todos os amantes ouvintes, que "esqueça se ele não te ama, te faz sofrer e até chorar", assim, como donas de inebriante conhecimento do amor.
Coisas que eu não entendo 1.Como pode a Marília Pêra roubar sempre a cena?
A mulher era o próprio amor, numa interpretação que embebedou a todos.Sendo a melhor cantora e a melhor atriz.Aos berros, como quem ama.
Coisas que eu não entendo 2. Como pode num evento como esses, não ter Maria Bethânia e Gal, cantando Roberto?
A primeira eu não entendo até agora e a segunda, logo perto de acabar o show, ao aparecer uma outra cantora de voz rouca, entendi de imediato sua falta.
Também não gostei de ver a Calcanhotto só ao findar do show, cantando meia dúzia de palavras numa canção compartilhada por todas as outras amantes.Isso poderia ficar a cargo somente da Paula Toller.
Não ver e ouvir Marisa, também foi um desconsolo.Ao passo que Ivete Sangalo cantou duas músicas, num privilégio só a ela concedido, ao menos pela Globo.Injustiça com as cantoras de batom-vermelho-forever-na-boca.
Nada contra Ivete, a qual está grávida e merece uma atenção especial e eu muito estimo.Mas enquanto Marisa cantarolasse uma "modinha" ela podia ir buscar Dalila ligeiro, ligeiro.
Outra coisa importante de se pontuar, é ver que as superstições do Rei com a cor marrom, chegaram ao fim, visto que Alcione-Marrom-Bom-Bom foi uma das divas escaladas.
Ainda assim, o show me emocionou e espero que tenha emocionado a Siegrid também.
Que ela tenha lembrado de Adroaldo, o qual está a sofrer, direto do bairro da Federação.
Eu lembrei do meu amor.
Fiquei com vontade de ligar e dizer "Pois sem você, meu mundo é diferente, minha alegria é tristeeee", la razon de mi vida.
Mas não tenho mais o número, já não sei por onde andas, nem por quais cozinhas se esconde.
E o dia-de-sentir-inveja-de-quem-tá-namorando está chegando!
Viva o amor.
Viva a inveja.
Viva a vida.
Para vocês que me amam,
tenho a honra de ser,
R.R





